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Fernando pagou R$ 327.600 entre lance e comissão, recebeu o valor de volta 6 meses depois e ficou com R$ 4.680 de despesas que ninguém reembolsou.
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A conta planejada saiu do edital: comissão de 5% do leiloeiro sobre o lance, ITBI (o imposto municipal sobre a transmissão do imóvel) de 2% em Sorocaba e registro da carta de arrematação (o documento que o juiz emite para transferir o imóvel) no cartório.
A conta do sobrado até a chave, como Fernando a montou antes do lance:
| Lance no segundo leilão | R$ 312.000 | | Comissão do leiloeiro, 5% | R$ 15.600 | | ITBI, 2% sobre o lance | R$ 6.240 | | Registro da carta no cartório | R$ 3.900 | | Custo previsto até a chave | R$ 337.740 |
Fernando depositou o lance à vista e pagou a comissão no próprio dia do leilão. O ITBI e o registro nunca chegaram a ser pagos, porque a carta não saiu enquanto os embargos corriam.
Na defesa, a Casa Forte tentou o segundo caminho da súmula. Juntou um protesto de duplicata contra Marcos (o registro público, no tabelionato, de um título que não foi pago), lavrado em 2022 em Sorocaba, e disse que qualquer comprador cuidadoso teria visto.
Lúcia respondeu com os recibos, os extratos das 3 transferências para a conta de Marcos, as contas de luz em nome dela desde julho de 2023 e o depoimento de 2 vizinhas que acompanharam a mudança.
O preço também pesou. Os R$ 390.000 ficavam 25% abaixo da avaliação judicial feita 3 anos depois, distância que a juíza tratou como preço de mercado, sem o desconto típico de quem compra às pressas de um devedor encrencado.
Em 12/08/2026, a juíza Renata Albuquerque Freitas, da 4ª Vara Cível, julgou os embargos procedentes. A sentença registrou que a penhora não constava da matrícula na data da venda e que a Casa Forte não provou que Lúcia sabia da execução. O sobrado saiu da execução.
Fernando, que não tinha culpa no enrosco, recebeu de volta os R$ 312.000 do depósito judicial em setembro, com a correção da conta do banco oficial. O leiloeiro devolveu os R$ 15.600 da comissão por ordem da juíza.
Ninguém devolveu o custo de defender o lance. Fernando gastou R$ 4.500 com o advogado que acompanhou os embargos e R$ 180 com certidões, e o dinheiro ficou parado 6 meses numa conta que rende menos que a aplicação de onde saiu.
A dívida de Marcos continua aberta. A Casa Forte voltou a procurar bens dele e, até o começo de outubro de 2026, não tinha achado outro imóvel registrado em nome do empresário.
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